O Oásis no Meio do Deserto

Existe, no meio da UFV, um oásis de despreocupação no meio do deserto de estudos, provas e trabalhos. Uma fonte onde se bebe a mais pura água do esquecimento temporário e do “deixa para amanhã”. Um paraíso de temperatura amena onde não chove nem faz sol demais, e onde o tempo parece sofrer com dilatações e compressões. Um lugar onde um jogo de truco vira dois, e depois três, e depois quatro. No meio do Saara das listas de exercícios, uma lagoa cristalina que atrai o estudante beduíno e o convida a nunca mais sair de lá: o DCE.

Pobre calouro que não sabe aonde está entrando. Seus próprios veteranos, afundados até o pescoço na linda areia movediça, os atraem para o perigo tão belo e atrativo em meio ao mar seco de livros da UFV. Os que já conseguem escapar de serem engolidos já avisam: “deu uma hora já galera, vou ali na BBT estudar”. Mas como segui-los? Logo a BBT, com suas torres imponentes, sérias, que lembram o peso de todas as suas obrigações e deveres e prazos e trabalhos e relatórios e faltas! Melhor ficar aqui, perto dessa casinha tão simpática, na sombra das árvores, com esse povo tão aconchegante e tranquilo.

Veteranos mais velhos avisam, através da zoação, que a disciplina DCE100 é só no primeiro período. Seus olhos empoeirados pelas inúmeras tempestades de provas na mesma semana, experientes em navegarem seus camelos em meio à confusão, servem de advertência para o calouro (sem camelo, mas burro) perdido na vastidão. Os novatos os admiram, mas preferem não escutar os sábios que lhe vem prestar conselhos. Preferem manter suas túnicas brancas protegidas da areia e continuar fumando seus narguilés.

Mas a viagem no tapete mágico logo chega ao fim. As primeiras provas são levadas com desdém, com a confiança cega de que as notas serão recuperadas nas outras que estão por vir. Mas permanecer no oásis vem com conta de aluguel, vermelha e postada no sapiens. O pobre calouro, inocente estudante de primeira viagem, se encontra desamparado novamente no meio das dunas, sem seu refúgio a vista, pedindo que o gênio lhe conceda apenas três pedidos: notas boas na primeira, segunda e terceira prova de cálculo.

Eu também já estive debaixo das sombras das árvores, jogando cartas com os sheiks e encantado pelo ar tão leve em volta desta utopia. Cansado de tantos fins de período, tive que montar em meu camelo e desbravar o terreno árido dos estudos também. Vejo com saudade os calouros de períodos passados sendo seduzidos novamente pelas águas e pelo clima doce, aliciados pela gostosa sensação de procrastinar. Entretanto, depois de tantos banhos de areia, a gente aprende que é só enfrentando o deserto que a aprovação deixa de ser miragem.

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