A Alegria de Reprovar

Se você perguntar se é bom reprovar para qualquer pessoa que você encontrar pelos corredores da UFV, a resposta, com 100% de certeza, vai ser um sonoro não. Ninguém gosta de ter que encontrar as mesmas contas, as mesmas teorias, as mesmas provas de novo, principalmente quando você não conseguiu fazer essas mesmas contas e entender essas mesmas teorias da primeira vez. Nem os professores gostam quando o aluno reprova. Por mais carrasco que ele seja, ele não quer ver aquele mesmo aluno que já deu trabalho pra ele no período passado, para dizer o mínimo. Mas a reprovação acaba proporcionando uma pequena alegria no período seguinte.
 
Mas nas férias, a reprovação continua assombrando a gente. A gente fica chateado por não ter passado naquela matéria que vai atrasar nosso curso em mais um ano, fica constrangido com a clássica pergunta clichê do “vai formar quando?” , e pelo menos no começo, nem consegue aproveitar tanto assim as saídas com nossos amigos. E quando esse pensamento já está começando a desaparecer, vem a temida batalha do sapiens. Solicitação atendida ou não, a reprovação vem para pegar no nosso pé de novo e enche a gente de medo de fazer aquela disciplina sozinho.
 
Fazer a matéria de novo já não é chato o suficiente? E ninguém sabe o que é pior: tomar pau sem saber de absolutamente nada, completamente perdido, ou repetir quase tendo passado. Reprovar sem saber de nada é horrível. No período seguinte, a primeira aula já parece estar em japonês, porque faz tempo que você viu aquele assunto. A maioria dos rostos são mais novos que o seu. Você já sai com medo da nota vermelha no sapiens de novo. Por outro lado, reprovar tendo aprendido a disciplina é frustrante. Você vê o quadro e reconhece tudo, e acha desanimador. Seu coração, cheio de dúvida, fica sem saber se fica tranquilo por já saber ou se fica com medo de ter perdido aquele detalhezinho irrelevante que fez o professor cortar sua questão inteira.
 
Mas por incrível que pareça, reprovar realmente proporciona uma alegria que só reprovar pode proporcionar. Essa alegria só vem depois de entrar na sala da mesma disciplina, com medo, desanimado, frustrado, atrasado, ter sentado sozinho no seu canto da sala, ajeitado sua mochila na cadeira do lado, tirado seu caderno, mas já escorregado na cadeira. Com seus pés já apoiados na fileira da frente, seus olhos percorrem o quadro e analisam o professor, e você decide examinar a sala. Você reconhece uma outra pessoa de outro curso que fez essa matéria contigo período passado. Você vê vários rostos mais jovens que o seu. O desânimo já está com todos os ingredientes para te consumir de vez quando o inesperado acontece. Olhando dentro dos seus olhos, quase de costas para o quadro, do outro lado da sala, está lá seu amigo que também tomou pau.
 
A esperança volta a encher seu coração e você vê que não está sozinho nesse barco. Os olhos chegam a brilhar. Você cogita mudar de lugar, mas pensa se não vai ficar muito feio. Essa feiura é diretamente proporcional à distância que separa vocês. A comemoração acontece de leve, e agora as suas reclamações tem um ouvido e mais uma boca para replicá-las. Aquela imagem que você construiu de você na BBT estudando no aquário agora inclui um outro amigo na sua frente mexendo no celular. A tranquilidade de saber que alguém pode assinar para você tira sua ansiedade. Você vai ser reconfortado quando ouvir que ele também ainda não começou a estudar. De repente, a caminhada fica mais tranquila.
 
Talvez fazer essa matéria de novo nem seja tão chato assim. Aquele dia da semana passa a ser mais tranquilo, e no fundo surge uma confiança de que tudo vai dar certo. Estudar junto vai tirar um pouco do peso das suas costas, e vocês vão passar. Por mais que não se deve desejar nunca que alguém reprove, todo mundo devia sentir uma alegria parecida com essa. A tranquilidade de espírito e a segurança são uma das coisas mais importantes para a sua cabeça enquanto estiver estudando, matéria repetida ou não. Por mais que essa alegria proporcionada pela presença de um conhecido seja fantástica, que a gente sempre tenha a confiança de saber que somos capazes de passar em nossas matérias, independente de estarmos acompanhados. Tenha sempre na cabeça: se alguém já passou, você também consegue passar.
 

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