Saindo da Bolha

Certamente você já reparou que tudo aquilo que aparece no feed do seu Instagram ou Facebook quase sempre se encaixam nas coisas que você já está acostumado a curtir ou acompanhar na internet. E isso não ocorre por acaso. As grandes empresas de mídias sociais como as citadas acima, estudaram por muito tempo tudo aquilo que você costuma curtir, as publicações que você avalia como indesejadas, os posicionamentos políticos e sociais que adota dentro da plataforma, enfim, por muito tempo essas plataformas analisaram todas as informações do seu perfil, para que fosse possível desenvolver um algoritmo que fornecesse ao usuário somente as informações relevantes a ele, afastando as publicações indesejadas. Afinal de contas, o objetivo de uma rede social é que você passe o maior tempo possível dentro da própria rede social.

No entanto, o que parece ser bom pode se tornar algo extremamente prejudicial. Ao descartar as informações que o algoritmo considera irrelevantes a você, o mesmo indiretamente está criando uma espécie de bolha de segregação de usuários, uma vez que esse algoritmo está sendo responsável por aproximar as pessoas que vivem e pensam de forma parecida, e a afastar o contraditório.

Mas por que isso seria algo ruim?

É fato que todos gostam de ler em suas redes sociais os assuntos que lhe interessam, porém em épocas como a qual atravessamos agora, onde estão ocorrendo às eleições presidenciais, ter disponível somente aquilo que aparentemente lhe interessa pode ser algo prejudicial. Por exemplo, nesse contexto é sempre importante conhecer as propostas de todos os candidatos, para que possamos, baseados em suas propostas, escolher o nosso representante. E o Facebook, Instagram e demais redes sociais, baseados nos seus algoritmos de relevância, passam a não fornecer a seus usuários informações sobre todos os candidatos, mas sim somente sobre aquele candidato que ela, baseada nesses mesmos algoritmos, considera como sendo o ideal para o seu perfil.

Dessa forma, a rede acaba nos prendendo em uma bolha, onde não temos acesso a todo o conteúdo de fora, e onde os algoritmos passam a tomar decisões por nós. Nesse contexto, o bombardeio das mesmas informações provoca cada vez mais alienação e ansiedade, nos prendendo no mesmo universo repetitivo de opiniões.

Para percebermos que realmente estamos sendo imersos em bolhas sem ver ou interagir com aquilo que está fora dela basta fazermos um teste. Role sua timeline e tente buscar por um amigo, ou um assunto com o qual você não interage ou pesquisa há bastante tempo. Certamente você não encontrará. Não porque se parou de falar nesse assunto, ou porque seu amigo deixou de fazer publicações, mas porque o algoritmo entendeu que aquele assunto ou aquela pessoa não é mais relevante para você e parou de mostrar tais informações em sua timeline.

Se ainda tem dúvidas sobre a existência de tais tipos de algoritmos, faça um teste mais específico. Pesquise no Google, por exemplo, sobre um assunto aleatório, e peça a um amigo ou uma pessoa com características diferente a sua para pesquisar sobre o mesmo assunto. Você irá perceber que apesar da pesquisa ser a mesma, os resultados mostrados serão diferentes.

Screen Shot 2018-09-24 at 6.17.35 PMDiferentes resultados para uma mesma pesquisa no Google, Eli Pariser,2011.

 

Através desses exemplos podemos entender porque o chamado filtro-bolha, que nada mais é do que a segregação de usuários em grandes bolhas de interesse pode ser algo extremamente perigoso, principalmente em épocas como as de eleição. Já que necessitamos ter contato com o novo, com o que está lá fora, precisamos ser expostos a novas experiências, para formar e aguçar ainda mais nosso senso crítico, para que possamos assim tomar as melhores decisões e para não mais deixarmos que algoritmo nenhum faça isso por nós. Do contrário, continuaremos imersos nessa bolha, e num futuro bem próximo, assim como diz Eric Schmidt, diretor executivo da Google:

“Será muito difícil para as pessoas assistirem ou consumirem algo que não tenha sido de alguma forma feito sob medida para elas.”

 

Por Alexandre Leite

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