Dom Quixote: uma comédia?

Existem aqueles livros que todo mundo conhece e já leu e existem aqueles que
todo mundo conhece, mas poucos leram. O livro de hoje do Clube do livro faz parte
precisamente do último grupo. Para essa primeira jornada nossa por um livro, escolhi
justamente O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha, um ícone por si só,
publicado (o primeiro volume) lá nos idos de 1605.

Minha intenção aqui não é, de forma alguma, tecer comentários aprofundados
sobre a obra, até por que tivemos mais de 400 anos de gente muito mais gabaritada do
que eu fazendo isso, e sim tentarei desmistificar esse livro que, por seu tamanho e sua
antiguidade, amedronta multidões e falar um pouco de como foi lê-lo, para mim.

Primeiro de tudo: Dom Quixote é um senhor livro engraçado. Isso mesmo.
Daqueles que podem te fazer gargalhar alto, sem exageros. Dom Quixote, para os
desavisados, é uma sátira aos romances de cavalaria medievais e modernos que se
propõe justamente a evidenciar os absurdos dessa literatura. O tal amor cortês
idealizado, os cavaleiros virtuosos que nunca erram, os perigos épicos gloriosos, e por
aí vamos.

O dom Quixote protagonista é um senhor de terras que, tendo lido muitos
romances de cavalaria na vida, acha que pode ser igual aos personagens de suas leituras
e decide sair pelo mundo defendendo a honra e a virtude, com seu escudeiro Sancho
Pança, que nada mais é que seu vizinho e vassalo, e seu cavalo Rocinante, o pobre
coitado de um pangaré magricela.

Cada situação em que esses dois se metem é mais absurda e cômica que a
anterior. Surpreendentemente, Sancho é o lúcido da dupla e faz como pode para tirar o
patrão de enrascadas. Tido como o primeiro romance moderno do Ocidente, o livro trata
essencialmente sobre a decadência de uma época e o começo do fim de um estilo de
vida.

Sim, eu sei. O livro completo, que é dividido em dois volumes, tem umas 1.200
páginas. No entanto, a vantagem dessa obra é ser bastante episódica, fragmentada. São
pequenas aventuras que compõem o todo, em várias partes chega-se a ser uma pequena
aventura por capítulo (como nos clássicos romances de cavalaria).

Dessa forma, é muito tranquilo ler Dom Quixote bem pausadamente, alguns
capítulos por semana, que seja. Um ponto positivo: o segundo volume é ainda melhor do que o primeiro! É sempre uma motivação bem-vinda saber que as continuações são
melhores que o início.

Em resumo: deem uma chance a Dom Quixote. Leiam aos poucos, riam aos
montes e depois venham me agradecer.

 

Por Kalil Zaidan

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