Cem mais País para Conhecer

Quando nos encontramos em uma situação mais ou menos difícil ou maçante em nossas vidas, é comum deixar a cabeça divagar, nos permitindo dar um intervalo mental, onde viajamos para um lugar onde nossos sonhos são tão reais quanto a prova que se aproxima. Nessas divagações, é comum nos imaginarmos conhecendo países distantes, morando em lugares diferentes, interagindo com outras culturas e fazendo um mochilão por vários continentes. Ian Wise é um inglês morador de Viçosa que aos 18, decidiu que realizaria um sonho desses: ia conhecer 100 países. Hoje, dez anos depois, e com a meta cumprida, ele sossegou em Viçosa e dá aulas de inglês, e nos contou um pouco dessa aventura.

Tudo começou com uma viagem para a África. Ian conta que teve a ideia simplesmente porque gostou da viagem, e pretendeu continuar. A partir desse ponto, ele ficou ambicioso, e desenvolveu o que ele chama de “um bom vício”. Cada país novo representava um país a menos de sua meta, e de 10 países foi passando para 20, e depois 30 e aí vai. Ele conta que começou com viagens pequenas, proporcionadas pela existência de companhias aéreas low cost na Europa, como Ryanair e EasyJet. Apenas depois de desenvolver certa experiência em viajar que ele foi se arriscar em viagens mais longas.

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Ian bebendo cerveja no Malawi em 2010

Seu trajeto mais longo não foi nada ortodoxo. “Eu saí da minha cidade no Reino Unido para Pequim, mas eu fui por terra, então não usei vôos. Passei uns quatro dias pela Transiberiana que sai de Moscou, depois pela Sibéria, desce pela Mongólia e depois chega em Pequim”. Entretanto, ele não recomenda tanto assim o uso do trem. Ele conta que é interessante, que a viagem permite ter uma boa perspectiva da paisagem, mas que quatro dias é demais. “Os primeiros dois dias foram bem interessantes, conhecendo gente nova, conversando, mas depois não tem muito o que fazer, então eu não recomendo quatro dias de trem, talvez só umas cinco horas”, brinca o inglês.

Suas viagens sempre tem alguma história diferente. Ele conta que a Geórgia, que fazia parte da União Soviética, tem muita gente legal, mas muito doida ao mesmo tempo. Em uma viagem de ônibus, um dos passageiros bebia e oferecia um gole para todos os passageiros, coisa que ele jamais imagina acontecendo em seu país natal. Ele também diz gostar muito da Bolívia e do Peru, dois países que na cabeça dele, não tinham boa reputação, mas se mostraram extremamente diversos e interessantes. A sua visita ao Salar de Uyuni, à capital La Paz e ao Peru foram contadas com muita saudade. Apesar disso, Ian também já passou aperto, passando mal em uma trilha para Machu Picchu, mas não resultando em nenhum problema maior.

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Viajando pela Transiberiana

Uma das questões mais importantes em relação a viagem é justamente o orçamento. Nosso entrevistado comenta que ele não teve muitos problemas em juntar o dinheiro, mas temos que considerar que ele é de um país com moeda forte. Apesar disso, o que mais possibilitou a economia para o sonho foi seu estilo de vida. “Foi mais uma mistura de morar com a família e morar com amigos. Quando eu morava com a minha família eu não estava pagando uma quantia absurda e quando eu morava com meu amigo eu não pagava tanto aluguel. Foi mais devido a não gastar tanto dinheiro assim e guardar o máximo de dinheiro que eu conseguia para viajar. Eu nunca me importei muito em ter a tecnologia da moda, roupas, ou coisas assim, eu só guardava o dinheiro para viajar”. Ele também comenta que muita gente se empenha em juntar muito dinheiro para depois viajar, mas que se você for cuidadoso com dinheiro, consegue fazer dar certo, mesmo sabendo que as passagens no Brasil são mais caras.

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Ian em Banff, no Canadá

Ian resolveu morar em Viçosa porque sempre achou interessante a perspectiva de morar em outro país, ao invés de só visitar. Depois de ter conhecido sua namorada viçosense na Inglaterra, ele decidiu vir morar com ela e aproveitou para conhecer as Américas inteiras, começando pelo Canadá e descendo até o Brasil, no qual ele entrou de barco pelo rio Amazonas. Hoje, ele pretende ficar mais quieto e não se esforçar tanto para conhecer novos países, mas cogita explorar mais de países que já visitou. Para quem quiser viajar como ele, Ian recomenda dar preferência à América Latina, por ser mais barato para nós e por ter os lugares mais interessantes que ele já conheceu.

É muito interessante reparar em como essa jornada de Ian se desenvolveu, principalmente pelo contexto no qual ela surge. Mesmo soando um pouco distante da nossa realidade, tendo vindo de outro país e sem nem ter cursado a universidade, a história dele, que frequenta a UFV ao nosso lado, como um simples estudante, nos permite sonhar alto também, nos inspirando a realmente ir atrás dos sonhos que habitam nossas divagações. Ian serve para nos mostrar que nenhum sonho é grande demais se houver planejamento e dedicação, e esse pensamento até acrescenta leveza na nossa rotina, nos conscientizando que nossos maiores desejos são perfeitamente alcançáveis.

 

Por Marco Antonio Gomes

Você pode conferir todas as fotos dessa reportagem e as aventuras de Ian em seu blog: https://iwise15togo.wordpress.com/

 

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